3.4.18

"Poveirinhos pela Graça de Deus"

A Póvoa de Varzim nas pinceladas de João Vaz.

“Donde és tu, lobo do mar?
Donde és tu, ó pescador?
De Portugal? – “pois num foste!
Sou da Pòiva, meu Senhor!”

António Correia de Oliveira

Antes de português, o pescador é da Póvoa.

Para Raul Brandão, “Aqui o homem é acima de tudo pescador.”, pescador que Antero de Figueiredo considera “... o valente campino do mar alto e das ondas de arrebentação...”

daqui:

https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.pt/…/povoa-de-varzim…

Nas pinturas podemos ver a Lancha Poveira do Alto, lancha única no país e que segundo o arquitecto Lixa Filgueiras e Raul Brandão, a lancha poveira é derivada do barco drakar viking.

Não é por acaso que grande parte dos nascidos em épocas transactas (agora há miscigenação e perdeu-se essa caraterística), éramos loiros e de olhos claros que era o meu caso.

29.3.18

Póvoa de Varzim - 1962

Filme sobre a Póvoa de Varzim de 1962

6.10.17

"Acreditar Sempre"

17-04-1977

O Varzim ia ao Estádio de Alvalade jogar contra o Sporting para o Campeonato Nacional.

Como é bom de ver, não podia faltar a esse jogo. Claro que ia apoiar o clube da minha terra embora e caso curioso, a maior parte dos meus familiares eram e são adeptos do Sporting.

Como o jogo começava às 16h e cheguei cedo (nessa época todos os jogos eram ao domingo às 16h), passeava pelo exterior do estádio, tentando ver nos poveiros que chegavam, um rosto conhecido para entabular conversa e falar sobre a Póvoa e o Varzim. Mas rostos conhecidos nada. De repente chega-se ao pé de mim um sujeito com um quadro na mão e pergunta se sou adepto do Varzim. Disse que sim, embora benfiquista sou varzinista porque é o clube da minha terra e a minha terra transporto e transportarei sempre no coração.

O indivíduo desconfiou que realmente fosse poveiro e, para confirmar, mostrei-lhe o meu bilhete de identidade; naturalidade Póvoa de Varzim.

Contra factos não há argumentos e perante tal evidência o sujeito mostrou-me o quadro. Disse-me ele que um amigo o tinha feito e lhe tinha oferecido porque achava o nosso emblema muito bonito. Mas ele não era poveiro nem do Varzim e prometeu que quando o Varzim viesse jogar a Lisboa, iria oferecer o quadro ao primeiro poveiro que encontrasse. Tive essa sorte e 40 anos depois o quadro ali está em casa, relembrando o episódio.

O Varzim empatou 1-1 com o Sporting. Foi um jogo empolgante. Os Lobos do Mar nunca foram inferiores e a raça poveira e o seu lema "Ser Varzinista é acreditar sempre!" teve ali o seu expoente.

Valente Varzim! Contra ventos e marés, "Acreditar SEMPRE!"

22.9.17

O Mar aos Poveiros

“O mar aos poveiros
Embalou-lhes na espuma a alegre e doce infância.
E rimou-lhes canções d'amor na mocidade,
Deu-lhes na pesca - a vida - e aos filhos a abundância,
Deu-lhes, mais tarde, a morte, e aos filhos a orfandade"

Conde de Sabugosa

Anos 60

Havia borrasca na enseada. O mar encapelado, galgava o porto de pesca, passava a lota e inundava as ruas que estavam no seu caminho, fazendo da Rua 31 de janeiro o seu leito.

Quando mar estava tempestuoso, muito do que nele estava nas entranhas era "vomitado" como se Cronos ali estivesse, vomitando os seus filhos que o mar tinha devorado.

À areia vinha parar tudo, desde bocados dos velhos barcos que ali tinham afundado, como outros objetos, que o mar tumultuoso revolvia nas profundezas, e lançava para fora das suas gárgulas escancaradas.

Sei que me encontrava ali mais o meu irmão mais velho. Outros garotos por ali andavam, vasculhando o areal à procura de moedas ou algo de valor, que as ondas alternosas ali tivessem depositado.

O som do mar bravio era cortado pelos gritos de desespero das pescadeiras poveiras que olhavam o mar onde as pequenas traineiras tentavam a todo o custo entrar na barra.

Quando hoje olho para o mesmo local, o mar bonançoso, sei que muitos de agora, não acreditam que ali houve desespero e morte.

Era uma aflição. Impotentes perante aquela tempestade medonha que se abatera sobre os barcos dos seus “hómes”, rezavam aos santos protetores que os trouxessem sãos e salvos.

O salva-vidas faz-se ao mar tentando resgatar dele, aqueles que devido à força das ondas eram tragados dos pequenos barcos virados.

O mar trazia para a areia não só pedaços de madeira dos barcos ali sepultados, como dos que acabavam de soçobrar.

Saímos, não havia condições para ali continuarmos.