A Póvoa de Varzim nas pinceladas de João Vaz.
“Donde és tu, lobo do mar?
Donde és tu, ó pescador?
De Portugal? – “pois num foste!
Sou da Pòiva, meu Senhor!”
António Correia de Oliveira
Antes de português, o pescador é da Póvoa.
Para Raul Brandão, “Aqui o homem é acima de tudo pescador.”, pescador que Antero de Figueiredo considera “... o valente campino do mar alto e das ondas de arrebentação...”
daqui:
https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.pt/…/povoa-de-varzim…
Nas pinturas podemos ver a Lancha Poveira do Alto, lancha única no país e que segundo o arquitecto Lixa Filgueiras e Raul Brandão, a lancha poveira é derivada do barco drakar viking.
Não é por acaso que grande parte dos nascidos em épocas transactas (agora há miscigenação e perdeu-se essa caraterística), éramos loiros e de olhos claros que era o meu caso.
3.4.18
29.3.18
27.12.17
6.10.17
"Acreditar Sempre"
17-04-1977
O Varzim ia ao Estádio de Alvalade jogar contra o Sporting para o Campeonato Nacional.
Como é bom de ver, não podia faltar a esse jogo. Claro que ia apoiar o clube da minha terra embora e caso curioso, a maior parte dos meus familiares eram e são adeptos do Sporting.
Como o jogo começava às 16h e cheguei cedo (nessa época todos os jogos eram ao domingo às 16h), passeava pelo exterior do estádio, tentando ver nos poveiros que chegavam, um rosto conhecido para entabular conversa e falar sobre a Póvoa e o Varzim. Mas rostos conhecidos nada. De repente chega-se ao pé de mim um sujeito com um quadro na mão e pergunta se sou adepto do Varzim. Disse que sim, embora benfiquista sou varzinista porque é o clube da minha terra e a minha terra transporto e transportarei sempre no coração.
O indivíduo desconfiou que realmente fosse poveiro e, para confirmar, mostrei-lhe o meu bilhete de identidade; naturalidade Póvoa de Varzim.
Contra factos não há argumentos e perante tal evidência o sujeito mostrou-me o quadro. Disse-me ele que um amigo o tinha feito e lhe tinha oferecido porque achava o nosso emblema muito bonito. Mas ele não era poveiro nem do Varzim e prometeu que quando o Varzim viesse jogar a Lisboa, iria oferecer o quadro ao primeiro poveiro que encontrasse. Tive essa sorte e 40 anos depois o quadro ali está em casa, relembrando o episódio.
O Varzim empatou 1-1 com o Sporting. Foi um jogo empolgante. Os Lobos do Mar nunca foram inferiores e a raça poveira e o seu lema "Ser Varzinista é acreditar sempre!" teve ali o seu expoente.
Valente Varzim! Contra ventos e marés, "Acreditar SEMPRE!"
O Varzim ia ao Estádio de Alvalade jogar contra o Sporting para o Campeonato Nacional.
Como é bom de ver, não podia faltar a esse jogo. Claro que ia apoiar o clube da minha terra embora e caso curioso, a maior parte dos meus familiares eram e são adeptos do Sporting.
Como o jogo começava às 16h e cheguei cedo (nessa época todos os jogos eram ao domingo às 16h), passeava pelo exterior do estádio, tentando ver nos poveiros que chegavam, um rosto conhecido para entabular conversa e falar sobre a Póvoa e o Varzim. Mas rostos conhecidos nada. De repente chega-se ao pé de mim um sujeito com um quadro na mão e pergunta se sou adepto do Varzim. Disse que sim, embora benfiquista sou varzinista porque é o clube da minha terra e a minha terra transporto e transportarei sempre no coração.
O indivíduo desconfiou que realmente fosse poveiro e, para confirmar, mostrei-lhe o meu bilhete de identidade; naturalidade Póvoa de Varzim.
Contra factos não há argumentos e perante tal evidência o sujeito mostrou-me o quadro. Disse-me ele que um amigo o tinha feito e lhe tinha oferecido porque achava o nosso emblema muito bonito. Mas ele não era poveiro nem do Varzim e prometeu que quando o Varzim viesse jogar a Lisboa, iria oferecer o quadro ao primeiro poveiro que encontrasse. Tive essa sorte e 40 anos depois o quadro ali está em casa, relembrando o episódio.
O Varzim empatou 1-1 com o Sporting. Foi um jogo empolgante. Os Lobos do Mar nunca foram inferiores e a raça poveira e o seu lema "Ser Varzinista é acreditar sempre!" teve ali o seu expoente.
Valente Varzim! Contra ventos e marés, "Acreditar SEMPRE!"
22.9.17
O Mar aos Poveiros
“O mar aos poveiros
Embalou-lhes na espuma a alegre e doce infância.
E rimou-lhes canções d'amor na mocidade,
Deu-lhes na pesca - a vida - e aos filhos a abundância,
Deu-lhes, mais tarde, a morte, e aos filhos a orfandade"
Conde de Sabugosa
Anos 60
Havia borrasca na enseada. O mar encapelado, galgava o porto de pesca, passava a lota e inundava as ruas que estavam no seu caminho, fazendo da Rua 31 de janeiro o seu leito.
Quando mar estava tempestuoso, muito do que nele estava nas entranhas era "vomitado" como se Cronos ali estivesse, vomitando os seus filhos que o mar tinha devorado.
À areia vinha parar tudo, desde bocados dos velhos barcos que ali tinham afundado, como outros objetos, que o mar tumultuoso revolvia nas profundezas, e lançava para fora das suas gárgulas escancaradas.
Sei que me encontrava ali mais o meu irmão mais velho. Outros garotos por ali andavam, vasculhando o areal à procura de moedas ou algo de valor, que as ondas alternosas ali tivessem depositado.
O som do mar bravio era cortado pelos gritos de desespero das pescadeiras poveiras que olhavam o mar onde as pequenas traineiras tentavam a todo o custo entrar na barra.
Quando hoje olho para o mesmo local, o mar bonançoso, sei que muitos de agora, não acreditam que ali houve desespero e morte.
Era uma aflição. Impotentes perante aquela tempestade medonha que se abatera sobre os barcos dos seus “hómes”, rezavam aos santos protetores que os trouxessem sãos e salvos.
O salva-vidas faz-se ao mar tentando resgatar dele, aqueles que devido à força das ondas eram tragados dos pequenos barcos virados.
O mar trazia para a areia não só pedaços de madeira dos barcos ali sepultados, como dos que acabavam de soçobrar.
Saímos, não havia condições para ali continuarmos.
Embalou-lhes na espuma a alegre e doce infância.
E rimou-lhes canções d'amor na mocidade,
Deu-lhes na pesca - a vida - e aos filhos a abundância,
Deu-lhes, mais tarde, a morte, e aos filhos a orfandade"
Conde de Sabugosa
Anos 60
Havia borrasca na enseada. O mar encapelado, galgava o porto de pesca, passava a lota e inundava as ruas que estavam no seu caminho, fazendo da Rua 31 de janeiro o seu leito.
Quando mar estava tempestuoso, muito do que nele estava nas entranhas era "vomitado" como se Cronos ali estivesse, vomitando os seus filhos que o mar tinha devorado.
À areia vinha parar tudo, desde bocados dos velhos barcos que ali tinham afundado, como outros objetos, que o mar tumultuoso revolvia nas profundezas, e lançava para fora das suas gárgulas escancaradas.
Sei que me encontrava ali mais o meu irmão mais velho. Outros garotos por ali andavam, vasculhando o areal à procura de moedas ou algo de valor, que as ondas alternosas ali tivessem depositado.
O som do mar bravio era cortado pelos gritos de desespero das pescadeiras poveiras que olhavam o mar onde as pequenas traineiras tentavam a todo o custo entrar na barra.
Quando hoje olho para o mesmo local, o mar bonançoso, sei que muitos de agora, não acreditam que ali houve desespero e morte.
Era uma aflição. Impotentes perante aquela tempestade medonha que se abatera sobre os barcos dos seus “hómes”, rezavam aos santos protetores que os trouxessem sãos e salvos.
O salva-vidas faz-se ao mar tentando resgatar dele, aqueles que devido à força das ondas eram tragados dos pequenos barcos virados.
O mar trazia para a areia não só pedaços de madeira dos barcos ali sepultados, como dos que acabavam de soçobrar.
Saímos, não havia condições para ali continuarmos.
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