9.8.17

Bisavô Francisco

Meu bisavô Francisco (pai da minha Avó Arminda).

5.8.17

A Póvoa de Hoje!

"Na orla da angra ou enseada de Varzim vive o Poveiro, tipo de pescador original e inconfundível na beira-mar portuguesa... Forte, rude, vive do mar e para o mar."

Santos Graça

Poderia começar pela escrita deste ilustre poveiro, a demanda do povo a que pertenço por terras de Varazim.

Dizem que o nosso povo teve origens num povo nórdico, viking, mas não, antes dos vikings chegarem, já outros povos habitavam esta orla costeira.

Segundo o estudo feito pelo capitão Fonseca Cardoso «O Estudo Antropológico do Poveiro», o Poveiro descende da raça semita de origem cananeana, que viveu nas primeiras idades do Egipto, que fundou Tyro, Sidon, Aratos, Gavira, Carthago... enfim, somos aqueles que por herança nasce, vive e morre pescador.

Mas já não é assim. O Poveiro já não nasce nem morre pescador. O Pescador foi “empurrado” para as Caxinas e, na cidade cosmopolita sobranceira, resta somente uma homenagem àquele que tanto deu de si para salvar os outros... «O Cego do Maio».

A Póvoa do meu tempo modernizou-se, tornou-se uma cidade bonita. Oito anos depois, voltei a vê-la. Admirei-me de não encontrar o bulício de uma cidade que me habituou quando lá ia. O Passeio Alegre (Marginal), a Junqueira local tradicionalmente ligado ao comércio e ponto de passagem onde se encontrava a família, estavam quase desertas. Efeitos da crise ou do vento norte que se fazia sentir.

Mas olho e vem-me sempre à lembrança os bons momentos de menino que ali passei. Era uma terra de pescadores, agora é uma cidade virada para o futuro.

Que continue mas sem esquecer que, um dia, famílias de poveirinhos pela graça de Deus, aportou àquela enseada e foi ali que a Póvoa começou.

3.8.17

Póvoa Cine

Os cinemas encerram por falta de público e por muitas saudades que se tenha, na época ninguém se importava com isso e este, e outros cinemas na Póvoa, foram vítimas do camartelo.


Um pouco de história.

Neste mesmo local onde estava o cinema, existia um Café que na época foi muito famoso, o Café Chinês. Para além de café funcionava como sala de jogos, como é típico neste povo, não vive sem jogo.

Com a abertura do Casino (Stanley Ho dono do casino e como é bom de ver de origem chinesa), este Café entrou em decadência pois os jogadores foram todos para o Casino. Resultado foi demolido em 1938 e nele foi construído o Póvoa-Cine. Nos anos 90 devido à falta de público, o Póvoa Cine também foi demolido e nele construído o Centro Comercial, que por sua vez também não tendo quem nele compre, irá ser demolido e nele se fará um pequeno zoo ou um aquário tipo Vasco da Gama como existe em Lisboa (isto digo eu, pois um dia terão que destruir e colocar ali uma outra atração).

O preços de entrada com o passar dos anos foi sempre aumentando. Na minha época um bilhete para o Garret no balcão custava 15 tostões (1escudo e 50 centavos) e na plateia 25 tostões ou seja 2 escudos e 50 centavos. Compare com o que custa hoje um bilhete e verá a diferença. Mudaram-se os espaços, mudou-se a vida, alteraram-se os preços.

Eis aqui uma foto desse Café onde mais tarde surgiu o Póvoa-Cine.


29.7.17

Bairro Nova Sintra

"Se algum dia
À minha terra eu voltar
Quero encontrar
As mesmas coisas que deixei

E correr como em criança
Nos verdes campos do lugar
Quero encontrar
A sorrir para mim"

Verdes São os Campos

Através da janela, à minha frente, o campo estende-se num verde viçoso. No horizonte grossas nuvens iam-se formando, a chuva vinha aí.

A melancolia apossa-se de mim. Olho pela janela e, fechando os olhos, regresso a uma casa, a minha casa, a casa onde nasci!

Não é possível recordares a casa onde nasceste, dizia a minha Mãe, eras pequenino quando de lá saímos, terias dois anos... E nunca mais lá voltámos!

- Mãe, a casa era assim! – explicava eu. Um corredor, ao lado os quartos, a cozinha ao fundo, onde também costuravas e uma janela, uma janela que dava para o campo.

Com a mão no queixo e o cotovelo apoiado no parapeito da janela, ficava horas a olhar para o verde daquele campo.

Por certo naquela idade ainda não tinha idade para sonhar! Olhava talvez pelo verde que se estendia até tocar o azul do céu. Ou pelas nuvens grossas que se iam formando tal e qual como hoje... e a chuva caía, caía ora de mansinho ora em grandes bátegas. O céu era atravessado pelos raios, como se uma criança pegasse num lápis e desatasse ali a riscar sem nexo. Talvez estivesse eu a pegar nesse mesmo lápis e o riscasse. Em pinceladas colocava aquelas nuvens mais escuras, clareadas aqui e ali com relâmpagos,...

...E o verde do campo torna-se mais verde. Gotículas ficam agarradas às suas pequenas hastes apontadas para o firmamento.

Talvez sonhasse com um futuro lindo para todos os meninos como eu. O meu cabelo era amarelo como as espigas de milho. Eu era a natureza, a natureza era eu!

Hoje sou uma réstia daquilo que era, mas olho através da janela e continuo a ser o que sempre fui... Um Sonhador!

25.7.17

"A Lingua da Sogra"

Vendedores de língua da sogra e de gelados na praia da Póvoa de Varzim (foto anos 40).

Neste grupo destaca-se o famoso Franklim dos "Paladares" (em cima à esquerda). O homem dos caramelos gostosos que se comia na nossa Póvoa. Sempre com "olha o caramelo americano", e a brincadeira com o cigarro, metia dentro da boca e de lá saía aceso.

foto de Amadeu Milhazes Carvalho filho do dono da fábrica (ao meio em cima).