3.8.17

Póvoa Cine

Os cinemas encerram por falta de público e por muitas saudades que se tenha, na época ninguém se importava com isso e este, e outros cinemas na Póvoa, foram vítimas do camartelo.


Um pouco de história.

Neste mesmo local onde estava o cinema, existia um Café que na época foi muito famoso, o Café Chinês. Para além de café funcionava como sala de jogos, como é típico neste povo, não vive sem jogo.

Com a abertura do Casino (Stanley Ho dono do casino e como é bom de ver de origem chinesa), este Café entrou em decadência pois os jogadores foram todos para o Casino. Resultado foi demolido em 1938 e nele foi construído o Póvoa-Cine. Nos anos 90 devido à falta de público, o Póvoa Cine também foi demolido e nele construído o Centro Comercial, que por sua vez também não tendo quem nele compre, irá ser demolido e nele se fará um pequeno zoo ou um aquário tipo Vasco da Gama como existe em Lisboa (isto digo eu, pois um dia terão que destruir e colocar ali uma outra atração).

O preços de entrada com o passar dos anos foi sempre aumentando. Na minha época um bilhete para o Garret no balcão custava 15 tostões (1escudo e 50 centavos) e na plateia 25 tostões ou seja 2 escudos e 50 centavos. Compare com o que custa hoje um bilhete e verá a diferença. Mudaram-se os espaços, mudou-se a vida, alteraram-se os preços.

Eis aqui uma foto desse Café onde mais tarde surgiu o Póvoa-Cine.


29.7.17

Bairro Nova Sintra

"Se algum dia
À minha terra eu voltar
Quero encontrar
As mesmas coisas que deixei

E correr como em criança
Nos verdes campos do lugar
Quero encontrar
A sorrir para mim"

Verdes São os Campos

Através da janela, à minha frente, o campo estende-se num verde viçoso. No horizonte grossas nuvens iam-se formando, a chuva vinha aí.

A melancolia apossa-se de mim. Olho pela janela e, fechando os olhos, regresso a uma casa, a minha casa, a casa onde nasci!

Não é possível recordares a casa onde nasceste, dizia a minha Mãe, eras pequenino quando de lá saímos, terias dois anos... E nunca mais lá voltámos!

- Mãe, a casa era assim! – explicava eu. Um corredor, ao lado os quartos, a cozinha ao fundo, onde também costuravas e uma janela, uma janela que dava para o campo.

Com a mão no queixo e o cotovelo apoiado no parapeito da janela, ficava horas a olhar para o verde daquele campo.

Por certo naquela idade ainda não tinha idade para sonhar! Olhava talvez pelo verde que se estendia até tocar o azul do céu. Ou pelas nuvens grossas que se iam formando tal e qual como hoje... e a chuva caía, caía ora de mansinho ora em grandes bátegas. O céu era atravessado pelos raios, como se uma criança pegasse num lápis e desatasse ali a riscar sem nexo. Talvez estivesse eu a pegar nesse mesmo lápis e o riscasse. Em pinceladas colocava aquelas nuvens mais escuras, clareadas aqui e ali com relâmpagos,...

...E o verde do campo torna-se mais verde. Gotículas ficam agarradas às suas pequenas hastes apontadas para o firmamento.

Talvez sonhasse com um futuro lindo para todos os meninos como eu. O meu cabelo era amarelo como as espigas de milho. Eu era a natureza, a natureza era eu!

Hoje sou uma réstia daquilo que era, mas olho através da janela e continuo a ser o que sempre fui... Um Sonhador!

25.7.17

"A Lingua da Sogra"

Vendedores de língua da sogra e de gelados na praia da Póvoa de Varzim (foto anos 40).

Neste grupo destaca-se o famoso Franklim dos "Paladares" (em cima à esquerda). O homem dos caramelos gostosos que se comia na nossa Póvoa. Sempre com "olha o caramelo americano", e a brincadeira com o cigarro, metia dentro da boca e de lá saía aceso.

foto de Amadeu Milhazes Carvalho filho do dono da fábrica (ao meio em cima).


20.7.17

Os gelados na Póvoa

Os gelados eram vendidos nestes carrinhos. Estavam sempre na Avenida dos Banhos e a bolacha da GELSANDE era tão fina fina que passado uns tempos já lambuzávamos os dedos.


fotos cedidas por: Amadeu Milhazes Carvalho

12.7.17

Mário Carcereiro

Disse o meu tio António da Conceição (falecido recentemente) ao jornal Correio do Porto:

“Casei em Fevereiro de 1947, e a 10 de Abril fundamos a Banda da Póvoa, fruto de uma fusão entre as bandas "Os Passarinhos" e "Os Malhados". A ideia partiu do Mário Carcereiro. Embora eu tivesse aprendido a tocar Barítono nos Malhados, ajudei-o a fazer a fusão. Houve diversas reuniões e zangas entre as famílias, mas o objectivo foi conseguido. Integrei a primeira direcção presidida pelo Mário Carcereiro. Quando ele faleceu houve eleições e assumi a presidência."

Quem era então Mário Carcereiro?

Nos livros que tenho do Ilustre escritor José de Azevedo, ofertas do meu irmão Josué Lima, pela 2ª vez reparo que um nome que muito me diz, tem surgido em alguns temas.

Falo do meu padrinho de batismo Mário Carcereiro (por isso me chamo e com muito gosto de Mário também).

Não sei muito dele. Saí muito novo de Portugal, as poucas recordações que tenho era quando cachopo ia na Páscoa, ter com ele buscar o pão de ló e pouco mais.

Neste livro que estou a ler "A graça que a Póvoa tem", refere José Azevedo que o meu padrinho era presidente da "Banda dos Passarinhos" (Sociedade Musical da Banda Povoense Concelhia) que rivalizava com a "Banda dos Malhados" (Banda Musical a Poveira).

Gostei de saber um pouco mais sobre o Mário Carcereiro que segundo penso por ouvir há muitos anos dizer, era carcereiro da prisão da Póvoa (ou talvez não, que as alcunhas surgem sabemos lá muitas vezes a razão).

Era muito amigo do meu avô Benjamim Lopes da Conceição, sapateiro no antigo mercado David Alves, perto do torreão que dava para a bomba de gasolina e do meu pai Alfredo Lima.

Nestas duas fotos está o meu padrinho que nunca mais o vi. Ficou o teu nome em mim, Obrigado!

Fotos:

1ª - O meu tio António
2ª - O meu padrinho é o 1º à esquerda ao lado da tarjeta (o meu pai de gravata e casaco claro, está do mesmo lado) tirada no Bussaco (na época era assim escrito o Buçaco de hoje) em 16.06.52. Eu iria nascer quase dois meses depois.
3ª - Sem data (mas deve ser do mesmo ano), o meu padrinho ao centro ao lado do meu avô, à direita. O meu pai está atrás.