20.7.17

Os gelados na Póvoa

Os gelados eram vendidos nestes carrinhos. Estavam sempre na Avenida dos Banhos e a bolacha da GELSANDE era tão fina fina que passado uns tempos já lambuzávamos os dedos.


fotos cedidas por: Amadeu Milhazes Carvalho

12.7.17

Mário Carcereiro

Disse o meu tio António da Conceição (falecido recentemente) ao jornal Correio do Porto:

“Casei em Fevereiro de 1947, e a 10 de Abril fundamos a Banda da Póvoa, fruto de uma fusão entre as bandas "Os Passarinhos" e "Os Malhados". A ideia partiu do Mário Carcereiro. Embora eu tivesse aprendido a tocar Barítono nos Malhados, ajudei-o a fazer a fusão. Houve diversas reuniões e zangas entre as famílias, mas o objectivo foi conseguido. Integrei a primeira direcção presidida pelo Mário Carcereiro. Quando ele faleceu houve eleições e assumi a presidência."

Quem era então Mário Carcereiro?

Nos livros que tenho do Ilustre escritor José de Azevedo, ofertas do meu irmão Josué Lima, pela 2ª vez reparo que um nome que muito me diz, tem surgido em alguns temas.

Falo do meu padrinho de batismo Mário Carcereiro (por isso me chamo e com muito gosto de Mário também).

Não sei muito dele. Saí muito novo de Portugal, as poucas recordações que tenho era quando cachopo ia na Páscoa, ter com ele buscar o pão de ló e pouco mais.

Neste livro que estou a ler "A graça que a Póvoa tem", refere José Azevedo que o meu padrinho era presidente da "Banda dos Passarinhos" (Sociedade Musical da Banda Povoense Concelhia) que rivalizava com a "Banda dos Malhados" (Banda Musical a Poveira).

Gostei de saber um pouco mais sobre o Mário Carcereiro que segundo penso por ouvir há muitos anos dizer, era carcereiro da prisão da Póvoa (ou talvez não, que as alcunhas surgem sabemos lá muitas vezes a razão).

Era muito amigo do meu avô Benjamim Lopes da Conceição, sapateiro no antigo mercado David Alves, perto do torreão que dava para a bomba de gasolina e do meu pai Alfredo Lima.

Nestas duas fotos está o meu padrinho que nunca mais o vi. Ficou o teu nome em mim, Obrigado!

Fotos:

1ª - O meu tio António
2ª - O meu padrinho é o 1º à esquerda ao lado da tarjeta (o meu pai de gravata e casaco claro, está do mesmo lado) tirada no Bussaco (na época era assim escrito o Buçaco de hoje) em 16.06.52. Eu iria nascer quase dois meses depois.
3ª - Sem data (mas deve ser do mesmo ano), o meu padrinho ao centro ao lado do meu avô, à direita. O meu pai está atrás.

As duas sereias

Uma das coisas que me agradou quando comecei a ver a minha Póvoa com olhos de ver, foi esta frontaria sita na Junqueira. Em alto-relevo, estas duas figuras representando duas sereias e como sereias que são estão semi-nuas o que para a época foi um escândalo (e para algumas almas ainda hoje o é), onde se chegou ao ponto do Prior da Matriz proibir a passagem da procissão pela Junqueira pois a casa das duas sereias era considerada uma provocação demoníaca e para que os seus figurantes não caíssem na ratoeira do Demónio ou tentação do pecado, é sem dúvida, uma frontaria a ver para quem pela Junqueira passeia, pela qualidade escultórica que emana daquelas duas figuras.

Obra do escultor portuense Sousa Caldas, dentro da Arte Nova (a Arte Nova foi tardia e de pouca duração em Portugal. Teve início por volta do ano de 1905 e terminou 15 anos mais tarde em 1920) é sem dúvida um ex-libris da nossa cidade, uma pela beleza das figuras, outra porque está no centro o nosso brasão (expressão burguesa do Brasão da Póvoa de Varzim conforme consta na wikipédia), não deixa de ser bonito e bem enquadrada entre as duas sereias.

Segundo o que li no livro "No Reino da Póvoa" de José de Azevedo (um livro a ler tal como os outros deste autor), este edifício foi mandado construir pela Tia Constança do Agulha com o dinheiro enviado pelo marido Tone Maravalhas, emigrado no Brasil, em Manaus. Depois do seu falecimento foi o seu filho Admário Ferreira (poeta, publicista e director do semanário local "O Banhista" e "O Banhista Informador") que ali abriu a "Livraria" Académica.

As duas fotos representam o passado e o presente deste local no que concerne à beleza das imagens.

Fontes:

- wikipédia
- Revista "A Póvoa de Varzim - Repositório Digital"
- Livro "No Reino da Póvoa" de José de Azevedo de onde foi retirada a imagem antiga do local.

Foto atual: Mário Lima


11.7.17

"UM CONTO DE DUAS CIDADES"

No dia 31 de maio de 2017, no Cinema Garrett, estreou-se o filme de Steve Harrison e Morag Brennan "UM CONTO DE DUAS CIDADES".
Para quem não o viu, que foi o meu caso, aqui fica a apresentação do mesmo e a sua sinopse.

Filme "Um Conto de Duas Cidades",
de Steve Harrison e Morag Brennan

Sinopse:

“Começando com a famosa fotografia de Maria do Alívio, de 16 anos, a andar descalça pela Rua das Lavadeiras, o filme conta a história de duas Póvoas de Varzim muito diferentes.
- a comunidade piscatória e a realidade brutal de um modo de vida tradicional – a coragem, carácter e solidariedade que ajudaram o povo a sobreviver.
- a cidade turística – os indivíduos cuja energia e iniciativa transformaram este trecho de 1 km de areia numa meca para milhões de turistas.
Não só se obtém um vislumbre histórico de um mundo que agora está quase esquecido, como também se poderá ver uma parte da história portuguesa que alguns desejam esquecer: a vida sob o poder de Dr. Salazar.
Primeiro há o relacionamento especial que o ditador teve com a comunidade de pescadores e a cidade turística; e depois poderá ver-se então como a Póvoa foi o cenário dramático para o confronto entre o regime de Dr. Salazar e o homem que jurou derrubá-lo. Um Conto de Duas Cidades apresenta-nos duas visões de uma mesma cidade, relatadas a partir de entrevistas a testemunhas oculares, às vezes hilariantes e outras vezes dolorosas, mas sempre inspiradoras e reveladoras.”

Curiosamente o título é o mesmo de um romance de Charles Dickens (Tale of Two Cities - Uma história em duas cidades ou Um Conto de Duas Cidades).

10.9.13

Um Largo com "estória"

Vivia na Rua Dr. António Silveira na "Ilha do Padre" na casa do meu avô Benjamim, sapateiro no antigo mercado Dr. David Alves.

2ª porta à esquerda depois do torreão

Na época (1961) este largo não era assim. Conheci-o como Largo do Correio e aí estacionavam as camionetas de excursão dos alunos das escolas.

"Largo do Correio" hoje "Elísio da Nova"

A minha escola primária era na Tenente Valadim. Hoje velha, decadente mas com o pau da bandeira bem firme, espera a machadada do tempo para lhe afogar os risos das crianças que ecoavam já nas suas velhas escadas.

Ali aprendi as primeiras letras de uma professora que fazia chegar a caninha-da-índia ou a palmatória ao mais afoito que dela tivesse pejo em contrariar ou, que os trabalhos não tivessem sido feitos na sebenta ou na lousa onde o pau de giz, transformava riscos em palavras.

A minha professora, Dª Maria Luísa

Uma excursão de alunos até Braga. Custava um dinheirão. Mas pataca aqui pataca ali, lá consegui reunir para a viagem. A minha avó Arminda prepara-me a lancheira num cesto de vime. Pataniscas, pão e o famoso "pirolito" e lá vamos.

Ainda tenho na memória essa viagem por ter sido a única. O local onde lanchámos, entre o arvoredo era lindíssimo.
As nossas brincadeiras se manifestaram ali como pequenos pássaros saídos da gaiola. Até a professora rezingona tinha mudado de expressão, sendo mais cândida e alinhando com estes pequenos patifes.

De regresso, ao nosso lado aparece o carro do distinto avogado Fernando, morador na Vila Aurora, onde eu brincava com o seu filho Fernando de seu nome, hoje tal como o pai, também advogado da nossa praça.

Tinha-lhe chegado aos ouvidos que a nossa camioneta tinha caído na velha ponte romana de Ponte de Lima. Como possuidor de um dos poucos carros existente na época, apressou-se em saber se tal correspondia à verdade, Felizmente não!

Vai ele de regresso à Póvoa dando a boa nova a quem dela aguardava com ansiedade.

Camioneta chegada à Póvoa, a este Largo. Dezenas de pessoas aguardavam-nos. Mães, tias, avós, quase toda a comunidade poveira ali estava. Embora soubessem, queriam ver com os seus olhos os seus pequenitos, pois se a notícia era boa, melhor seria saber que, por vontade de Deus, tínhamos saído de um acidente que não tinha acontecido connosco (houve realmente um acidente mas foi com alunos de outra escola, de onde já não me lembro).

... E saídos da camioneta era um abraçar, os ais de satisfação de quem nos apertava ao peito, de lágrimas sentidas e não fugidias. Nós, pequenos lobinhos do mar, sentimos ali que o sentir da nossa gente de quem de nós gosta, vale mais que todos os "pirolitos" do mundo.
A famosa bebida da época "O Pirolito"