12.7.17

Mário Carcereiro

Disse o meu tio António da Conceição (falecido recentemente) ao jornal Correio do Porto:

“Casei em Fevereiro de 1947, e a 10 de Abril fundamos a Banda da Póvoa, fruto de uma fusão entre as bandas "Os Passarinhos" e "Os Malhados". A ideia partiu do Mário Carcereiro. Embora eu tivesse aprendido a tocar Barítono nos Malhados, ajudei-o a fazer a fusão. Houve diversas reuniões e zangas entre as famílias, mas o objectivo foi conseguido. Integrei a primeira direcção presidida pelo Mário Carcereiro. Quando ele faleceu houve eleições e assumi a presidência."

Quem era então Mário Carcereiro?

Nos livros que tenho do Ilustre escritor José de Azevedo, ofertas do meu irmão Josué Lima, pela 2ª vez reparo que um nome que muito me diz, tem surgido em alguns temas.

Falo do meu padrinho de batismo Mário Carcereiro (por isso me chamo e com muito gosto de Mário também).

Não sei muito dele. Saí muito novo de Portugal, as poucas recordações que tenho era quando cachopo ia na Páscoa, ter com ele buscar o pão de ló e pouco mais.

Neste livro que estou a ler "A graça que a Póvoa tem", refere José Azevedo que o meu padrinho era presidente da "Banda dos Passarinhos" (Sociedade Musical da Banda Povoense Concelhia) que rivalizava com a "Banda dos Malhados" (Banda Musical a Poveira).

Gostei de saber um pouco mais sobre o Mário Carcereiro que segundo penso por ouvir há muitos anos dizer, era carcereiro da prisão da Póvoa (ou talvez não, que as alcunhas surgem sabemos lá muitas vezes a razão).

Era muito amigo do meu avô Benjamim Lopes da Conceição, sapateiro no antigo mercado David Alves, perto do torreão que dava para a bomba de gasolina e do meu pai Alfredo Lima.

Nestas duas fotos está o meu padrinho que nunca mais o vi. Ficou o teu nome em mim, Obrigado!

Fotos:

1ª - O meu tio António
2ª - O meu padrinho é o 1º à esquerda ao lado da tarjeta (o meu pai de gravata e casaco claro, está do mesmo lado) tirada no Bussaco (na época era assim escrito o Buçaco de hoje) em 16.06.52. Eu iria nascer quase dois meses depois.
3ª - Sem data (mas deve ser do mesmo ano), o meu padrinho ao centro ao lado do meu avô, à direita. O meu pai está atrás.

As duas sereias

Uma das coisas que me agradou quando comecei a ver a minha Póvoa com olhos de ver, foi esta frontaria sita na Junqueira. Em alto-relevo, estas duas figuras representando duas sereias e como sereias que são estão semi-nuas o que para a época foi um escândalo (e para algumas almas ainda hoje o é), onde se chegou ao ponto do Prior da Matriz proibir a passagem da procissão pela Junqueira pois a casa das duas sereias era considerada uma provocação demoníaca e para que os seus figurantes não caíssem na ratoeira do Demónio ou tentação do pecado, é sem dúvida, uma frontaria a ver para quem pela Junqueira passeia, pela qualidade escultórica que emana daquelas duas figuras.

Obra do escultor portuense Sousa Caldas, dentro da Arte Nova (a Arte Nova foi tardia e de pouca duração em Portugal. Teve início por volta do ano de 1905 e terminou 15 anos mais tarde em 1920) é sem dúvida um ex-libris da nossa cidade, uma pela beleza das figuras, outra porque está no centro o nosso brasão (expressão burguesa do Brasão da Póvoa de Varzim conforme consta na wikipédia), não deixa de ser bonito e bem enquadrada entre as duas sereias.

Segundo o que li no livro "No Reino da Póvoa" de José de Azevedo (um livro a ler tal como os outros deste autor), este edifício foi mandado construir pela Tia Constança do Agulha com o dinheiro enviado pelo marido Tone Maravalhas, emigrado no Brasil, em Manaus. Depois do seu falecimento foi o seu filho Admário Ferreira (poeta, publicista e director do semanário local "O Banhista" e "O Banhista Informador") que ali abriu a "Livraria" Académica.

As duas fotos representam o passado e o presente deste local no que concerne à beleza das imagens.

Fontes:

- wikipédia
- Revista "A Póvoa de Varzim - Repositório Digital"
- Livro "No Reino da Póvoa" de José de Azevedo de onde foi retirada a imagem antiga do local.

Foto atual: Mário Lima