Nome:Marius70 Localização:Lisboa Portugal Ver o meu perfil completo
Temas do Ala-Arriba
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A MINHA MÚSICALetra de Albano Ribeiro Música de Eduardo Correia Póvoa Terra querida Como tu não há igual És ainda a mais bonita Que existe em Portugal Ala-arriba pela Póvoa Terra nossa bem amada Ala-arriba pela Póvoa Terra nossa abençoada Póvoa Terra bendita Nossa terra e nosso lar Enquanto tivermos vida Havemos de te honrar Ala-arriba pela Póvoa Terra nossa bem amada Ala-arriba pela Póvoa Terra nossa abençoada LETRAS e MÚSICASConj. Típico Ala-ArribaAdamo Adiafa Alberto Cortez António Mafra António Variações Brigada Vitor Jara Cantares Alentejanos Cantores de Intervenção Carlos Paião Carlos Santana Charles Aznavour Chico Buarque Claude Ciari Conj. Típ. Ala Arriba Creed. Clearw. Revival Duo Ouro Negro Engelbert Humperdinck Fados e Baladas de Coimbra Fados, Marchas e Canções Fausto Papetti Frank Sinatra João Maria Tudela João Villaret Joe Dassin Juca Chaves Júlio Iglésias Leonardo Fábio Los Indios Tabajaras Maio Moço Martinho da Vila Memories Música de Angola Música de Cabo Verde Música de Moçambique Música Nacional Música Brasileira Música Instrumental Música Internacional Música de Dança (incluiu)
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A RoncaA ronca da Póvoa de Varzim faz parte do meu imaginário. Quantas vezes a ouvi no Bairro Sul, na Rua da Cordoaria em que pequeno vivi. O seu som ecoava pela noite fora ajudando os traineiras a fazer-se ao porto de abrigo ou quando o nevoeiro traiçoeiro limitava os olhares dos bravos Lobos-do-mar. Ali, nas traseiras da Igreja da Lapa, a ronca na velha casa junto ao farol da Igreja, cumpria a sua função. ![]() Muitos anos passados voltei à Póvoa e um velho som se fez ouvir. A Ronca continuava ‘viva’. Esse som, que nunca o esqueci, fez-me recordar esses tempos de menino. Era verão, o nevoeiro fazia-se sentir e a ronca ecoava no meu espírito, no espírito de quem muito novo rumou a outras paragens, mas que nunca se esqueceu dos sons que lhe moldaram a alma poveira. P.S. - O meu agradecimento a Quim Santos (OPoveiro) que teve a gentileza de fazer este filme com o som da Ronca para que eu tão perto e tão longe da minha terra, continuasse a ouvir os sons da minha infância! Obrigado Quim. O meu Olhar...
... Sobre a minha Cidade!
Sempre PoveiroPoucos anos estive na Póvoa. Nascido em Agosto de 1952, foi em Fevereiro de 1962 que da Póvoa saí e, agora, só esporadicamente é que lá vou. No entanto tenho alma Poveira. Esteja onde estiver, faço questão de a representar condignamente e também dar a conhecer as tradições, usos e costumes da terra que me viu nascer. Muitas vezes é-se mais poveiro fora do que dentro de muros. Pelas recordações que nos ficaram da meninice, das festas e romarias, dos jogos, das brincadeiras próprias de garotos, da escola, do fugir à polícia pelas pedreiras (principalmente do “russo” pois chamávamos-lhe uns nomes ‘bonitos’), do malabarismo que víamos ao ar livre ali para os lados da Misericórdia. As minhas recordações são feitas desse passado. Mas a Póvoa está sempre presente. No ano passado, na minha estreia nos 43 km da Ultra Maratona Atlântica Melides/Tróia, corridos no areal, levei uma t-shirt alusiva à nossa terra. ![]() Um ano depois voltei a fazer o mesmo na mesma prova, desta vez homenageando a nossa terra e o nosso clube, o Varzim. Continuarei a fazê-lo sempre que essa prova correr, não há maior orgulho para mim, que levar no corpo o nome da terra que me viu nascer. Poveiro… Sempre! A música que estão a ouvir (Saudades do Mar), foi-me enviada por um responsável do nosso Rancho Poveiro que tem um Portal ao Rancho dedicado. Esta canção era-me constantemente pedida pelos Poveiros dispersos pelo mundo principalmente pela comunidade Poveira no Brasil. A música já está inserida na minha página musical do nosso Rancho. Ao responsável do Portal o meu muito Obrigado! A minha Póvoa de VarzimNasci em 1952 nesta linda terra. Uma terra feita de um passado de sacrifícios, onde o nosso pescador, por vezes, tinha que "mendigar" o pão que o mar lhe negava, nos camponeses que viviam à volta do nosso povoado. Um povo orgulhoso como o nosso não o fazia de ânimo leve, mas tinha que ser. A Póvoa do meu tempo foi mudando. A Póvoa de hoje fará parte das fotos antigas do amanhã. Quando regressei à minha terra, após 13 anos de ausência, as diferenças ainda não eram muitas, mas já as havia. Hoje já nada tem a ver com esse passado, assim como esse meu passado nada tinha a ver com o passado dos meus avós. A Póvoa é uma cidade em crescendo. Muitas localidades em volta estão integradas em pleno na nossa Póvoa. Lembro-me de Aver-o-Mar que no meu tempo era bem distinta e hoje já não sei onde começa e onde acaba. Mas é do passado que se faz o presente e o futuro da nossa terra. Um passado de que podemos orgulhar, fizémos de tão pouco uma cidade cosmopolita que, todos o sabemos, tem muito de bom mas tem também muito de mau. Mas é a nossa terra. Terra dos meus avós, dos meus pais, dos meus irmãos, de toda a minha família. Na Póvoa me casei, na Póvoa baptizei os meus filhos. Nasci no "Bairro de Nova Sintra", sou poveiro de corpo e alma. Recebia muitos pps com imagens da nossa terra. Eram muito bonitos mas quase sempre faltava algo e esse algo levou-me a fazer este vídeo. Com música do grande amigo Rui Lagoa, aqui está a nossa Póvoa do passado. Tanta mudança houve mas sempre o grito dos nossos pescadores há-de vibrar no nosso peito: «Ala-Arriba» diziam eles e dizemos nós: «Ala-Arriba» por ti Póvoa. Que continues sempre a ser aquela terra que os nossos pescadores levaram para o Brasil e de lá foram expulsos por não negarem a terra e o país que os viu nascer. A Ilha do PadreDepois do nosso pai ter ido para Luanda, a minha mãe e todos nós, filhos, fomos morar para a Rua da Cordoaria, onde moravam já as nossas tias. Era uma casa cheia de garotada e não deveria ser fácil controlar tantos miúdos, mas certo é que até a nossa mãe ir para Luanda, com os dois manos mais novos, ali permanecemos. Após a partida da nossa mãe, fomos para a casa dos nossos avós na “Ilha do Padre” que tinha entrada pela Rua Cego do Maio. Estivemos lá um ano, mas um ano que fez toda a nossa história de rapazinhos. Uma “ilha” como o nome indica, é um pátio cercado de habitações pobres. A casa dos meus avós tinha ligação também para a Rua Dr. António Silveira. Do meu avô já aqui falei, Benjamim Lopes da Conceição, sapateiro no Mercado David Alves. Foi um avô que toda a gente gostaria de ter. Um grande amigo dos netos, um bom companheiro e amigo do seu amigo. ![]() A minha avó, Arminda Dias, era uma avó excepcional. Ia de aldeia em aldeia vender o peixinho fresquinho da Lota. Avós que nos deixaram saudades. Um dia ao retirar uma panela de sopa do lume, ainda na Rua da Cordoaria (teria uns 8 anos), a panela virou-se e queimei o pé. Logo fugi de casa e coloquei-me em frente à entrada da Ilha do outro lado da Rua Cego do Maio (penso que havia aí um chafariz). A minha avó viu-me e chamou-me. Nunca me esqueci do que depois aconteceu. Não ralhou comigo. Tirou-me o sapato e o peito do meu pé era só bolhas de água. Foi buscar uma agulha e linha e passou a linha de um lado ao outro nas bolhas em cruz e deixou ali ficar. A água saiu, a pele secou e nunca mais vi marcas desse acidente. A Ilha era em U. À entrada da Ilha morava a pescadeira Aurora conhecida pela A-dos-Assobios, depois havia a casa de banho comunitária, que não era mais que uma retrete com três buracos. Servia toda a Ilha. A seguir ficava a cozinha da minha avó, com o seu fogão a lenha, já no virar do U a entrada para a casa dos meus avós. Em seguida penso que morava o dono (ausente no Brasil?) do casario e no andar por cima morou um padre (o tal que deu o nome à Ilha). À noite ouvíamos barulho vindo desse lugar diziam que era o espírito do padre que vinha até ali e arrastava a cadeira para ler. Até suávamos debaixo dos cobertores. Afinal eram ratos. Aquilo era tudo de madeira e já estava muito degradado. Já no lado esquerdo, morava a nossa pequena amiga Rita. Um dia, no Carnaval, uma rabicha (bombinha ou bichas-de-rabear) entrou-lhe pelo peito e queimou-o. Foi uma aflição na Ilha. Quase na saída do pátio, lembro-me de uma moça que faleceu, creio que devido a apêndice. Como estava para se casar foi de vestido de noiva. Fiquei impressionado com a situação pois deve ter sido a primeira pessoa que vi morta com vestido de noiva (mais tarde o mesmo vi em Luanda e também pelas mesmas causas, mas aí já era um adolescente e não me causou a mesma impressão). Parece que ainda estou a ver-me a subir as escadinhas que davam acesso a essa casa. Nessa Ilha, na casa dos meus avós, passámos bons momentos e momentos assustadores. A luz do candeeiro a petróleo fazia com que a imaginação disparasse e algumas sombras tremulentas que pareciam passar ao fundo do corredor, faziam-nos estarrecer. Num dos cantos em cima de uma mesa ficou a secar açúcar enviado pelo meu pai de Luanda, devido a vir com alguma garrafa de aguardente que se quebrou, era cá um cheirinho… Na Rua Cego de Maio, saltávamos nas fogueiras dos Santos Populares, e assávamos as batatas. Era dali que partíamos para junto da lota e ouvíamos os pregões das pescadeiras na venda do peixe. Era dali que íamos até à praia para um mergulho ou ter com o amigo Xico Preu que nos levava até ao seu barco. Foi um ano em cheio nessa Ilha do Padre da minha Póvoa de Varzim. Hoje essa Ilha está ao abandono, esperando que a natureza se encarregue de destruir mais uma das minhas recordações do passado. |